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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Sobre o livro de Andrew Keen

Acabei de apresentar no GJOL - Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online da Facom/UFBA o polêmico livro de Andrew Keen (the cult of the amateur). Mais tarde colocarei aqui minhas impressões sobre o livro, mas antes, por favor, leiam no blog do GJOL Jornalismo e Internet a resenha do professor Marcos Palacios sobre o mesmo e que resume muito bem a discussão de Keen nos oito capítulos do livro.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

vídeo do rafinha e cibercultura



Para "apimentar" mais ainda a discussão em torno do livro de Andrew Keen, "Culto ao amador" veja esse vídeo sobre rafinha. O vídeo é baseado no Livro "A cauda longa" (the long tail) de Chris Anderson e fala sobre o crescimento dos nichos de mercado em oposição aos hits que dominavam, por exemplo, a indústria fonográfica. Esse vídeo mostra as mudanças que estão ocorrendo em relação ao comportamento de jovens da cibercultura que consomem iPods, iPhones, leitura na internet, baixa arquivos em redes P2P, utiliza msm para se comunicar com outros amigos. Enfim, mostra as mudanças que vem ocorrendo nas últimas décadas a partir das novas práticas do ciberespaço. Esse livro de Chris Anderson confronta-se bem com o de Andrew Keen e oferece uma visão apropriada dessas transformações que estão ocorrendo e afetam o jornalismo, a indústria fonográfica, a indústria de Hollywood, as redes de tv e proporcionam mais participação das pessoas via redes de comunicação digitais.

fernando f. silva

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Andrew Keen está certo?



Duas entrevistas do historiador britânico Andrew Keen, autor do atual livro "The Cult of the Amateur: How Today's Internet Is Killing Our Culture" (o culto ao amador: como a internet de hoje está matando nossa cultura) chamam a atenção. Uma é na edição atual da revista Época e outra na Folha de S.Paulo (para assinantes) de hoje. O que chama a atenção nas entrevistas é seu posicionamento contra a participação dos leitores/internautas na produção de conteúdo e uma defesa forte dos meios de comunicação de massa. Veja alguns trechos:


  • "Não vejo como a web 2.0 está democratizando a mídia, acho que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso" (na Folha de S.Paulo);

  • "Meu livro não defende que as pessoas não tenham blogs, apenas que não finjam que são substitutos da mídia tradicional ou representantes de fontes de informação confiáveis sobre o mundo. Como as pessoas saberiam da crise aérea brasileira, por exemplo, sem jornalistas profissionais? Iam ter de se basear em blogueiros, que podem ser representantes das companhias aéreas ou do governo?" (Folha de S.Paulo).

  • "Parte da mídia tradicional já foi destruída. Estamos assistindo à morte lenta da indústria da música, estamos assistindo à morte lenta dos jornais locais nos Estados Unidos. Não acho que nós viveremos num mundo sem nenhum profissional especializado em agregar informação. A questão central é a idéia de que os consumidores continuarão a pagar por conteúdo. Você já vê no mercado fonográfico que eles não vão. Mais e mais pessoas pensam que a música deve ser livre e estão roubando-a. A mídia tradicional não vai exatamente morrer, mas vai mudar dramaticamente. Os meios de comunicação de massa – que considero democráticos e onde conteúdo de qualidade é acessível pelo preço de US$ 10 ou US$ 15 para comprar um CD, assistir a um filme ou comprar um livro – talvez se tornem coisa do passado. Enquanto os utópicos digitais falam sobre democratização da mídia e do conteúdo, acredito que a conseqüência é o aparecimento de uma nova oligarquia. A tão propalada democratização, na verdade, tornará o entretenimento cutural de alta qualidade menos acessível às pessoas comuns" (revista Epoca).

A crítica construtiva sempre será válida, mas penso que os argumentos de Andrew Keen são frágeis e estão na contramão dos acontecimentos. Em vez de defender a participação do leitor/internauta prefere defender a mídia de massa. Por que a indústria fonográfica está falindo ou reformulando sua forma de atuação? Por que a mídia tradicional começa a criar projetos de jornalismo participativo? Na minha opinião tanto o jornalismo quanto a a indústria de massa estão mudando porque a internet e as diversas possibilidades colaborativas na rede estão demonstrando que as pessoas querem participar (e nunca tiveram essa participação) e querem produtos diferentes dos oferecidos.


Evidentemente que o chamado jornalismo colaborativo precisa se aperfeiçoar para corrigir distorções, mas não vejo como voltar atrás. O caminho é esse mesmo. Na semana passada Elton John disse que desejava que a internet fosse fechada para que as vendas de discos voltassem ao tempo do sucesso.


As novas tecnologias (celular, internet e novas práticas no ciberespaço) estão mudando as relações de consumo e de produção de conteúdo. É preciso perceber isto. Fechar a internet ou impedir que as pessoas participem da produção de conteúdo não é a solução e nem o ideal.


Post aberto para a discussão.


fernando f.silva